Escrevi um Conto





Livro de Antologia - Femina
Editora Multifoco



Amor Fatal


"E stou fingindo ao máximo que posso, me escondendo. Eu bloqueio o meu coração para não sentir nada, por ninguém, novamente. Não sei em quem confiar. Estou sem rumo."
Aquele gentil e apaixonante estranho, mudou a minha existência para sempre. A princípio me passou uma imagem, de que era uma pessoa especial, e tempos depois, se mostrou totalmente diferente e agora, eu o repudio veementemente.

Estou vagando pelas ruas e entranhas de uma madrugada fria e chuvosa, que tanto apetece a minha alma instintivamente. Não sei em que me transformei, mas a frieza dentro de mim hoje, quase se compara ao clima.

Meus tímpanos estão a ponto de explodir, com o volume alto. da música que estou ouvindo. Alguém perdeu um objeto, que descobri produzir sons. Ainda estou me acostumando com tudo o que existe agora a minha volta, nesse mundo dos humanos. Mundo que eu só podia observar, de longe.

Mas eu os visitava sempre, porque esse era o meu trabalho. Não me era permitido olhar em volta com detalhes ou algum tipo de interesse pessoal. Eles eram a minha prioridade, antes de eu abdicar dessa minha antiga condição.

Quando o encontrei, em um dia estranho e de uma noite sombria, ele parecia estar desamparado, triste. Eu pude sentir a dor que emanava de suas vísceras.

A princípio, ele não quis que eu me aproximasse, mas com a minha insistência em ajudá-lo de alguma forma, aos poucos ele foi me aceitando por ali, por perto. Até que nos envolvemos de uma tal maneira, que pude descobrir o que era esse tal sentimento, de tanta afinidade, que os humanos demonstram sentir por seus entes queridos, e até mesmo por animais de estimação.

Mas ele me disse, que o sentimento que nasceu de dentro de nós, era maior e intenso, era um tal de "Amor".

Não poderia realmente existir nada mais forte que isso, pelo menos eu nunca sentira antes, algo se quer parecido. Eu só tinha permissão para sentir compaixão pelos mortais, nada mais que isso. E descobrir que eu poderia sentir mais, a princípio, foi algo estranho, ao mesmo tempo, que maravilhoso.

Ele novamente na minha mente. Não posso me permitir lembrar dele, não quero, isso me fere, me revolta e me confunde ainda mais. Ainda não entendo aquela mudança drástica nele. Tornou-se tão ríspido, e disse que eu estava enganada sobre o que ele sentia.

Por que foi tão covarde comigo? Ele prometeu ficar ao meu lado, para sempre! Ainda não entendo o porque, dele ter mudado de ideia, no momento em que soube, que eu não era mais um ser celestial.

A neblina estava me fazendo delirar. 

E a humanidade que sinto ter em mim agora me traz sensações que desconheço e não sei como controlar.
Há horas que estou andando por essa estrada sem querer ter nada na mente, a não ser o silêncio.
Eu fico sem pensamentos quando quero, mais a tempos, que não consigo mais fazer isso.

A letra dessa canção me diz que fui "enviada do céu para trazer a resposta". Joguei fora esse objeto maldito.

Era assim antes, não dessa vez. Caí nessa armadilha e agora não posso mais fazer nada por ninguém, nem por mim mesma.

Não posso voltar, porque o céu me abandonou e o inferno ainda não me recrutou. Ou será que já me encontro nele?

Cansei. 

Essa é a mais pura verdade. Chega! Eu não quero mais pensar sobre o assunto. Eu tenho que aceitar, não vai adiantar mesmo eu lamentar. A minha pureza de espírito me colocou nessa. Agora que fui mudada, perdi a crença em tudo a minha volta. E vejo que os valores na vida dos seres humanos, estão muito distorcidos, a ponto do amor não durar muito, e se transformar em palavras ásperas e dolorosas.

Eu presenciei tantas vezes, tandos desamores e não tinha ideia, de como era na verdade, estar nessa situação.

Mas antes, fosse somente isso, que estivesse acontecendo comigo, apenas uma simples desilusão amorosa, e que tem cura. No meu caso, foi mais que isso, ele me iludiu de todas as formas possíveis, e agora eu não tenho mais um lar e não sei, quem serei daqui para frente. Não tenho contato com ninguém, estou sempre me escondendo em lugares abandonados e tenho o máximo de cuidado para não ser vista. Até quando eu sobreviverei assim? Agora sinto fome e sede, e tudo é novo para mim. Com ele eu aguentaria tudo o que fosse preciso.

Estou me sentindo mal e tendo que me ordenar a viver numa nova realidade. Talvez o meu erro principal tenha sido acreditar, que sem ele eu não poderia viver.

Agora entendo o porquê daqueles humanos exigirem tanto a minha companhia e se sentiam bem, quando eu estava lá. Eu só fazia o que me era ordenado. Não entendia a importância da minha presença e o alento, que ela proporcionava.

Digo isso, porque nesse momento de sofrimento eu estou sentindo falta da mesma coisa. Mas sei que não tem nenhum ser, igual ao que eu era antes, me acompanhando.

Eu acreditava que essa proteção era para qualquer um e não apenas os escolhidos. Será que nem todos aqui, tem esse direito? Será que depende do que fazem das suas vidas?

E com certeza o meu delito foi grave demais para merecer. 

E ele, que me fez acreditar que eu era especial, na verdade me amaldiçoou. Só desci, por desejar viver com ele.

Estou cansada de andar e me torturar mentalmente.

Parei.
Estou diante de uma majestosa igreja! Olha a ironia.

Deveria entrar? Mas isso não seria uma blasfêmia? _ Resmunguei comigo mesma.

Lá dentro, não sei porque motivo, não senti nada de Divino.
Devo ter sido mesmo banida. E eu merecia isso.

Olhei em volta e vi que um padre estava me observando. E ele parecia estar muito surpreso. O que será que ele estava vendo?

Não aguentei e caí de joelhos, me encontrava em prantos, naquele momento.


Minutos depois, eu me encontrava em um confessionário.

"E esse é o meu pecado, tudo o que contei para o senhor. Mas sei que não acreditará em uma só palavra e pensará que estou louca." _ A porta se abriu e eu fui arrastada por para fora. Ele parecia nervoso e dizia que eu tinha que ver algo com urgência, naquele momento.

Saímos da igreja e ele me levou em direção ao que parecia ser um cemitério, nos fundos. Lá, ele apontou para uma cripta com uma imensa porta de grades, e disse que era para eu entrar. 

Confusa e ainda tonta, não entendi nada, mais obedeci, receosa, olhando para trás, e notando que o padre, gesticulava do lado de fora, para que eu continuasse.

Alguns passos adiante, eu o vi. Era ele, ali no escuro, e mórbido lugar. Estava deitado naquele chão frio, de mármore branco. Eu nunca esqueceria a sua bela aparência. Mas estava de costas para mim.

Refleti naquele momento, que foi por ele, que me despi de Anjo, e caí do céu!

Perdi a minha pureza, para me tornar uma igualmente, mortal.

"Porque você me abandonou e porque está aqui?" supliquei. Esperando uma explicação, se é que poeria existir uma, que fosse aceitável.

Mas havia, ele me disse algo, que me surpreendeu. Disse que estava pedindo ajuda para mim, para que eu pudesse voltar. E perdão por ter me feito tudo isso.

"Mas porque se pune se eu fiz por nós dois?" _ Perguntei aflita que com medo da sua resposta.

E tudo começou a clarear, quando ele me contou que jamais, me deixaria ser como ele era agora. Que eu não mereceria viver em total trevas, e que jamais havia pensado em tirar a minha alma santificada.

Não precisei indagar mais nada, pois nessa hora, ele se levantou rapidamente, com olhos muito expressivos e olhou em minha direção, como nunca havia feito antes.

Nesse momento, não se encontrava mais, o homem por quem estava apaixonada. Mas um ser monstruoso, dentro da íris de olhos mortificados.

E o perdoei...

era um vampiro.



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